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Pinhões

by germinar, julho 31, 2017
(Foto: Jorget Tanous)

Curitiba, do Tupi Guarani, Curi: pinheiro, araucária (pinhão); Tiba = ajuntamento, quantidade (lugar). Aqui somos a terra dos pinheirais, terra de muito pinhão!

Para nascer, crescer e dar pinhões, você acredita que a Araucária leva de 12 a 15 anos?! E apenas 1 em cada 20 árvores são férteis?!

Trazendo para a ComViver, começar o Germinar aqui foi um pouco de ser Araucária. A primeira turma aconteceu em 2009 e não foi exatamente aqui, aconteceu em Garuva, meio do caminho entre Curitiba e Florianópolis.

Essa foi uma turma histórica do Germinar, que terminou com apenas 4 pessoas!

No ano seguinte, em 2010, a partir do impulso e força de apenas um, dentre esses poucos germinados, o movimento para iniciar a turma aconteceu! Mas a turma não.

Em 2011 a turma germinou e desde então Curitiba tem turmas anuais! Cada qual com suas histórias, participantes, facilitadores, assistentes… cada uma com seus desafios únicos!

Iniciar novas turmas aqui sempre foi uma verdadeira saga, praticamente uma jornada do herói!

Passamos raspando por 2012, 2013 e quando chegamos em 2014, patinamos. Patinamos mesmo! Fazíamos diversas coisas e a turma não fechava. Não tinham inscritos suficientes.

Então começamos a pensar que deveríamos fazer algo diferente, havia um chamado para empreender. Engraçado, esse foi o primeiro ano que eu ouvi essa palavra no Germinar. Ainda não havia me dado conta que estar nesse lugar de facilitadora, implicava em ser uma empreendedora.

Pensamos que deveríamos fazer um levantamento sobre a composição da nossa lista de inscritos e percebemos que estávamos tentando esse tal de empreender, e poucos inscritos empreendedores tinham na nossa lista. Decidimos que esse seria nosso foco! Iniciamos a partida, e depois de muitos dribles e passes perdidos… Jogo ganho! Era o número suficiente de participantes e com uma boa representatividade dos diversos grupos (ongs, empreendedores, PF…)

Durante esse Germinar experimentamos o que demos o nome de Projeto Prático, onde cada grupo adotava uma organização e apoiava durante todos os intermódulos. Foi interessante, mas não vingou. Mas hoje escrevendo esse texto, percebo que foi o que precisávamos para entender que tipo de cuidados e manejo precisávamos fazer como empreendedores, no cultivo da nossa araucária.

No ano seguinte começamos a olhar com mais cuidado para as coisas, principalmente com relação ao tempo. Decidimos que se gostaríamos de iniciar uma turma em abril, em janeiro já precisaríamos estar com os workshops de divulgação.

Passado mais um tempo percebemos que não era só com workshops de divulgação do germinar que conseguiríamos público, mas que precisávamos levar conteúdos inspiradores para nossos workshops. E aí começamos a pensar que temas conseguiríamos trabalhar em 1h30 com os grupos, onde eles saíssem “incomodados” e com vontade de germinar, já que deixávamos a última hora para apresentação de como o Germinar funciona.

Assim nasceram diversos workshops de 2h30: “Como aprendemos e como ajudo minha equipe a aprender?”, “Liderança Facilitadora”, “Escuta genuína”, “Como um líder pode motivar uma equipe de trabalho”, “Ano novo, planos e ideias novas: como levar para prática envolvendo equipe, família ou sócios?”, “Liderança e as fases da vida”, “Como empreender mudanças?”.

E esses workshops não começavam mais 3 meses antes de iniciar a turma, mas no ano anterior, entre o 3º e 4º módulo da turma. Isso porque percebemos que os germinandos são os grandes empreendedores – junto com os facilitadores e assistentes, para a formação da turma seguinte. E não era apenas um ou dois, fizemos 12, 13, 14 workshops gratuitos por ano.

E assim, em 2017, 8 anos depois daquela pequenina primeira turma, Curitiba teve pela primeira vez lista de espera. A turma estava com 33 inscritos e mais do que 2/3 do recurso em ponto de equilíbrio.

Uma conquista, vale lembrar, não só de duas ou quatro pessoas (normalmente envolvidas diretamente na condução), mas de treze pessoas que acreditam no Germinar e moram em Curitiba. E essas treze pessoas, por decisão sociocrática se dividiram em diferentes papeis (comunicação, mobilização, cafés individuais), e em 3 diferentes equipes: Curitiba, Londrina e Guaraqueçaba, todas no Paraná. Fazer esse processo sociocrático trouxe um senso de pertencimento e de dedicação, não só à turma que está inserido, mas a todo sistema!

Ufa! Tudo perfeito?!

Na verdade, não. Mesmo com toda essa euforia, resolvemos que não iniciaríamos a turma antes de conversar com os inscritos! Aprendemos com a turma de 2016, que não deveríamos mais apresentar as despesas versus total do ponto de equilíbrio no primeiro módulo, isso deveria acontecer antes. Deveríamos trazer mais transparência para os já inscritos. E mais do que isso, deveríamos trabalhar no grupo a liberdade e a consciência do barco que eles estavam entrando.

Então desenhamos um módulo 0. Três semanas antes do módulo 01. Uma manhã de sábado, com uma garoa caindo em cima do nosso café! Pedimos que todos viessem, ressaltamos que era importante, que o Germinar começava ali. Fizemos inclusive um segundo módulo zero com os poucos inscritos que não puderam naquele sábado.

Nesse encontro vivemos uma atividade de integração e abordamos o tema da fraternidade econômica, com o conteúdo do “Alma do Dinheiro”, trabalhando o tema da escassez x abundancia e chegando na dita suficiência! Depois de muito discutirmos o tema, apresentamos pela primeira vez quais eram os custos envolvidos e qual era o total do ponto de equilíbrio da turma. Depois desse processo, falamos que essa diferença (mesmo atendendo os requisitos de 2/3 era de mais de R$5.000) era muito desafiadora, compartilhamos histórias de captação do ano anterior, o que achávamos que era tido como saudável, e dissemos que essa não seria uma decisão só da equipe de facilitação, ou da turma, mas sim que juntos decidíssemos qual caminho iríamos percorrer.

Eles disseram sim! Nós dissemos sim, mas com o cuidado que eles precisariam aumentar o ponto de equilíbrio individual, captar recursos com ações internas como grupo e/ou buscar outras fontes de apoio/patrocínio. Também dissemos que esse valor precisaria ser captado antes do módulo 01, pois os tinha o ponto de equilíbrio deles, mas também tínhamos o ponto de equilíbrio de todo o sistema: facilitadores, local, materiais, assistentes…

Assim seguimos caminhando para o 3º módulo, com as contas pagas! E muito felizes!

Temos uma prática de em cada módulo agendarmos duas conversas sobre o financeiro: uma de passado e presente (com ações realizadas, sentimentos, novos conceitos e coleta de ponto de equilíbrio) e uma de futuro (com apresentação do financeiro e desenho das próximas ações).

A cada ação, a cada movimento, paramos para fazer nossa avaliação e buscamos melhorias.

Como a araucária com seus pinhões, pensamos que essa seria uma forma de lançarmos nossas sementes, para inspirar, germinar ou simplesmente, saborear!

Caroline Mendes

2 comentários


    • Juliano Hoesel
      Responder Cancelar resposta
    • agosto 1, 2017

    Inspirador, Carol. Gratidão por compartilhar! Estamos há dois anos mobilizando a turma em Foz e essa sensação de empreender bateu na porta há alguns meses. Sabemos que esse é um desafio de todos lugares (ou da grande maioria), e ver essa história (um pedaço da biografia do Germinar no nosso estado), dá mais entusiasmo pra seguir. Um futuro brilhante a todos nós!

    • Giuliana Koyama
      Responder Cancelar resposta
    • agosto 1, 2017

    Carol, Gratidão por compartilhar as peripécias durante a formação de turmas <3 Seu trabalho já me inspirou a seguir com confiança nesta aventura! É muito bom ter um espaço onde possamos dividir nossas glórias e aprendizados. Muito grata mesmo!

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